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© 2017 Mansur Murad Advogados

O nome Bianca Marques já está marcado na moda nacional pela trajetória da estilista com sua marca própria, com mais de uma década de história. Agora no prestigioso papel de consultora de moda e Customer Relationship Management da tradicional casa italiana FERRAGAMO, Bianca compartilha com os leitores do MORE Brands and Fashion suas visões privilegiadas sobre a moda, o luxo e suas previsões para 2019 e a moda nacional.

 

 

1- Na sua visão, o que é moda?

 

Moda é uma definição de personalidade, de épocas e costumes. É uma forma de se divertir e demonstrar sua personalidade. A moda diz muito sobre as épocas e muda conforme os acontecimentos históricos, guerras, revoluções da informática, da mídia. A moda é a forma como você aparece para o mundo, é a primeira impressão que as pessoas têm ao seu respeito - a estética pessoal conta, mas a roupa chega na frente, é a primeira a ser vista.

 

Tanto a roupa, quanto a moda e o que você veste, dizem muito ou quase tudo sobre você. Por outro lado, algumas pessoas não usam essa ferramenta, mas a moda é sim uma ferramenta inteligente de demonstrar quem você é, sua personalidade, da forma que você quiser e o que você quiser, para o mundo externo.

 

2- A moda nos dias atuais, comparando com as últimas décadas, é outra. Como uma marca completamente baseada na tradição, como a FERRAGAMO, se reinventa para manter sua posição de destaque?

 

Não só a moda, mas o mundo mudou e atualmente nós vivemos uma outra era, um outro momento, um outro movimento. Eu parto da ideia de que princípios básicos, como por exemplo a educação que nossos pais nos deram, como dizer “obrigada”, respeitar os mais velhos, etc., é a base, o alicerce do ser humano. Digo isto, pois entendo que a moda se atualiza como nós seres humanos (estudamos cada vez mais com a globalização, aprendemos novas línguas, temos os impactos das mídias sociais...), e assim as roupas estão cada vez mais atuais, mais modernas, diferentes, com estilistas tão inventivos... mas nesse contexto, a base, a tradição, são necessárias (tanto quanto são na evolução de um ser humano).

 

A FERRAGAMO tem uma qualidade inquestionável e uma tradição que são a base da marca. Se tendo essa base, a marca consegue trabalhar e inovar, ela se torna um sucesso. Existem muitas

pessoas que querem “usar a base”, o tradicional, de qualidade, e elas se sentem bem assim. E eventualmente estas mesmas pessoas querem usar o que é tradicional, mas com modernidade. Então a base, a posição de referência, qualidade e tradição, que é o mais difícil de conquistar, estão ali.

 

E se temos uma cabeça criativa para somar à tradição (e a não reinventar necessariamente), temos a cereja do bolo, com conforto, qualidade e atualidade em um só produto. Na nossa opinião, as marcas de luxo têm um carimbo de qualidade, devem investir em novas cabeças, novos estilistas, novos criadores, e a partir deles transformar e criar uma nova tradição, se é que isso é possível dizer.

 

Esta tradição pode ser fresca, renovada, colorida, para os mundos atuais, irreverente, democrática no sentido de se expor, de se poder usar o que quiser, de se apresentar ao mundo de formas diversas. Ainda, que seja com humor, alegria, inovação, com tecnologia, com sustentabilidade e com tudo que tem sido tão dito.

3- Em outras palavras, a nova era da tecnologia trouxe grandes transformações para a forma de atuação e os efeitos do mercado perante a sociedade. Qual o posicionamento da marca nessa nova era da tecnologia? Como acompanhar a dinamicidade?

 

A FERRAGAMO é tradicional, mas é uma marca que escuta o que há ao redor dela, até por isso que ela permanece no mercado há décadas. A FERRAGAMO investe em novas tecnologias, com exemplos incríveis como chips nos sapatos (contra falsificações) e tecidos feitos com fibra da laranja e parcerias e colabs, também muito importantes.

 

Entendemos que a nova era tecnológica vem para nos ajudar, ajudar o planeta, ajudar a cuidar da natureza, reciclar. Fazer uma roupa de material reciclável ou ter uma bolsa de celular que carrega automaticamente com a luz solar... enfim, são coisas que a natureza e tecnologia, nos oferecem e que nós não podemos deixar pra trás, a FERRAGAMO com certeza acompanha este movimento, junto com o mundo.

 

Acompanhar isto é necessário: todos querem evoluir, todos querem um produto que não polua, que faça bem, que seja leve, feito de fibras naturais, que incomode menos, que não seja algo jurássico, digamos assim. A tecnologia é importante hoje em dia, não só para a moda, mas para todas as áreas, todos os campos, e se a moda não acompanhar a Era Tecnológica, ela sem dúvida vai ficar para trás.

 

Penso também em “Estudo, atualização e união”. Essas colabs que tem surgido de instituições ecológicas com grandes marcas, são incríveis e tem nosso apoio. Se a tecnologia leva à uma nova Era, a moda vai junto, com certeza.

 

4- Você já esteve posicionada na moda com uma marca própria, e agora traz sua experiência e talento para uma marca de luxo internacional. Olhando os dois mundos, distintos entre si, o que você acha que falta para a moda brasileira alcançar um status de renome global, já que temos tanta criatividade e bom design por aqui?

 

Tive durante 11 anos minha própria marca, e agora dentro de uma marca de luxo internacional, vejo que os mundos não são tão distintos. A burocracia é bem diferente e a forma com que o business acontece também. Mas o produto é muito parecido, é o mesmo mercado de luxo e os consumidores são os mesmos.

 

Sobre o status de renome da moda brasileira, acho que ele existe sim, fora do Brasil, especialmente no mercado praia (beachwear). O estalo que falta para nossa moda no Brasil é a estabilidade da nossa economia, é ela estar “no lugar”. O brasileiro é inventivo, criativo e nós temos grandes talentos, mas existe muita dificuldade criada com burocracias, impostos, etc., o que atrapalha para que a nossa moda seja enviada para o exterior e seja conhecida. Também acho que a legislação não tem uma sabedoria enorme sobre este assunto, mas sem dúvida é o momento que o país passa. Entendo que o Brasil vai se equilibrar e vamos não só ter a moda beachwear conhecida no mundo inteiro, mas os nossos estilistas estarão mundo a fora, tanto de couture quanto de haute couture. Assim torcemos!

 

5- É bastante interessante também que você tem um background jurídico: como você vê as interações atuais entra a moda e o direito, com cada vez mais advogados se especializando e o mercado se profissionalizando e “amadurecendo” juridicamente?

 

Eu me formei em Direito e acho que é uma faculdade que todas as pessoas deveriam ter, pelo menos em relação aos princípios básicos. Ela me ajudou, não só com as leis, mas na forma de me colocar, a saber me expressar, a falar em público. Esse é um ponto que eu gostaria de frisar, embora não seja minha vocação. Essa interação entre o Direito e a moda só acrescenta, só vem nos dar força (não só dar força aos advogados, mas força à moda), é uma união necessária.

 

Hoje em dia é necessário proteger criações, é preciso ter sempre um grande escritório de advocacia por trás de seu negócio, ainda mais sendo a moda uma área de tanta criação e criatividade. Várias legislações são importantes na moda, como as trabalhistas, de propriedade intelectual, etc., em um grande envolvimento direto entre a moda e o Direito.

 

Percebo que os advogados têm se especializado cada vez mais nisso, pois ainda há uma falta enorme de respaldo jurídico no mercado brasileiro, e este respaldo é importantíssimo e só acrescenta, fazendo com que a moda brasileira cresça, exploda mundo a fora e seja protegida. Eu vejo o Direito como sinônimo de “proteção”.

 

6- Por fim, o que esperar de 2019? Qual você acha que vai ser a tônica do mercado?

 

Para 2019, eu espero o melhor! Vejo o país numa fase política de grandes mudanças que eu jamais imaginei assistir, como um ex-Presidente da República preso e todos os acontecimentos políticos. Vejo uma fase de mudanças, então o que eu tenho é a esperança que 2019 seja um ano brilhante para o mercado da moda, para o mercado do Direito, para o mercado econômico e financeiro, no mundo e no Brasil, e que a gente consiga novamente ser respeitado. É momento de criar boas e novas alianças, normalizando as coisas até para que o povo brasileiro consiga respirar, se reestruturar, demonstrar todo o talento que possui.

 

Na minha opinião, o que vai pegar em 2019 é a “verdade”. Então nada que seja muito fake ou que seja diferente do que o consumidor acredita, vai vingar, é impossível! Hoje não se engana mais o consumidor, não tem como mais vender “gato por lebre” já que as pessoas são muito informadas.

 

Já constam como necessidades na moda possuir qualidade e tecnologia, usar a moda como ferramenta para ajudar o meio ambiente, para se expressar em movimentos sociais, entre outros. A moda é uma ferramenta para ajudar vários mundos.

 

Em 2019, o que vai fazer sucesso é o criativo, mas “verdadeiro”. Quem criar com “verdade” e emoção está nesse caminho. Hoje é difícil dizer o que está na moda, ao contrário de outras décadas, como os anos 80 e as ombreiras, ou os 70 e a moda hippie. Ou sejam, os estilistas e criadores não podem perder sua essência e se renderem à ideia de “o que mais vende é o que irei fazer”. É necessário, então, que se estude o mercado e se tenha uma “verdade da marca”, mantendo o seu DNA. Vejo algumas marcas perdendo o seu DNA e se transformando em “um pouco de tudo”, e isso é triste!