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© 2017 Mansur Murad Advogados

Amir Slama, dono de uma vasta trajetória no cenário fashion nacional, é conhecido com o Rei da Moda praia em todo o mundo. Entrou para o mercado em 1993 e, desde então, está entre os grandes estilistas do país. Em 2011, quase 20 anos após o lançamento da sua grife ROSA CHÁ, Slama se desligou da marca para se dedicar a sua marca autoral AMIR SLAMA, hoje também em posição relevante no mercado e na mídia, vestindo toda uma nova geração.

 

Suas criações conquistaram todo o mundo com simples traços e cores vibrantes, e o celebrado estilista premia os leitores do MORE Brands and Fashion com suas visões certeiras e vanguardistas do mercado, sempre permeando suas colocações com suas conhecidas simpatia e gentileza.

 

 

Na sua visão, o que é moda?

 

Moda é a tradução de um momento. Se analisarmos historicamente, a moda traduz o momento, a sociedade, suas vontades, os seus desejos.

 

Olhando para a moda nos dias atuais e comparando com as últimas décadas, qual você acha que é a maior mudança que temos?

 

Mudou o comportamento do consumidor, pois estamos vivendo uma década de quem determina (a moda) é justamente o consumidor. Os anos 90 foram anos nos quais tínhamos mais reforço no papel do estilista e da editora de moda. Estes ditavam o que era moda na estação e o consumidor se guiava por isso. Hoje vivemos um período, desde a virada dos anos 2000 pra cá, em que o consumidor é o senhor. Na verdade, ele sempre foi, mas agora assumiu esse papel com mais informação como a das redes sociais, se tornando mais entendido do negócio.

 

A nova era da tecnologia trouxe grandes transformações para a forma de atuação e os efeitos do mercado perante a sociedade. Qual o posicionamento da marca nessa nova era da tecnologia? Como acompanhar a dinamicidade?

 

Na verdade, quem trabalha com moda vive “ligadão no 220”, e eu acho que é como uma antena parabólica, você está vendo tudo, analisando tudo. A moda é dinâmica, então quem trabalha com moda tecnicamente tem que estar ligado, e a gente acaba se cercando de pessoas mais novas. Na minha equipe eu sempre contei com os estagiários de moda e comunicação, e isso acaba nos rejuvenescendo e você vai vendo que as pessoas estão procurando.

Fora tudo isso, esse contato com o mercado e com o consumidor final é muito importante. Acho que o meu formato hoje de estar mais próximo do consumidor é o ideal, pois você consegue acompanhar no dia a dia, além dos desejos e criação no desenvolvimento, aquilo que as pessoas estão buscando. O contato é no tête-à-tête, atendendo o cliente e fazendo um trabalho mais exclusivo.

Hoje por exemplo, além das minhas coleções regulares, faço coisas sob medidas, e o novo luxo hoje é exato isto, menos coisas, mas mais elaboradas e exclusivas e especiais. Tudo hoje tem qualidade, você vai achar roupas boas na C&A, Riachuelo. Assim, o trabalho de moda pode ser diferente quando exclusivo.

 

No seu dia a dia, quais são suas preocupações jurídicas e medidas preventivas que você possivelmente toma? Para concluir cada coleção, há inúmeras questões a serem tratadas como, por exemplo, contratos com modelos e questões trabalhistas. Informe-nos um pouco sobre os pontos que mais lhes desafiam/preocupam, tendo em vista os aspectos jurídicos.

 

Na realidade, durante muito tempo eu não trabalhei com advogados e no decorrer do tempo eu percebi o quanto isso era importante. Um bom acompanhamento jurídico é fundamental para o desenvolvimento da marca, da empresa e relação com os funcionários. Hoje não abro mão de consultar, de ter alguém para me orientar, porque além de tudo no Brasil as coisas são muito confusas.

Por exemplo, referente às modelos, temos um relacionamento profissional com várias agências que respondem por elas, então a gente acaba ficando tranquilo neste sentido. Tudo é acertado antes, como prazos, valores e usos de imagem. Nunca em 30 anos de carreira tive problema com isso.

 

Sendo considerado um ícone na moda praia, qual seu approach sobre as cópias? Ao passo que se é vanguarda, cópias e “inspirações próximas demais” são inevitáveis. Algum histórico sobre isto ou casos que tenham incomodado?

 

É o preço que criador paga, pois você está sempre buscando o novo, seja em forma, em modelagem ou em estamparia, sempre buscando inovar. Isso custa caro, pois é feito um trabalho de ateliê, desenvolve matéria prima e modelagem, que podem ser feitas em até 30, 40 vezes por exemplo, mas isso é uma opção minha.

Eu poderia ser uma marca muito voltada ao comercial e produção em escala, mas esta não é a minha vocação, que é a criação. E quanto às copias, elas não me incomodam mesmo, pois aquilo que você fez antes, não vai continuar fazendo. Na prática, aquilo que você fez ontem, hoje será comercial e assim será assimilado pelo mercado e a pelas pessoas, no volume. Em um momento diferente no mercado, eu consegui fazer um formato diferente. Na época da Rosa Chá, eu tinha um esquema muito grande com 30 lojas, franquias fora do Brasil. Então claro que eu tinha a inovação, mas eu tinha uma preocupação muito comercial. Por outro lado, hoje também não adianta ser vanguarda e não vender.  Por mais inovador que seja o produto, você faz para alguém e alguém tem que comprar, e se não comprar, não faz sentido.

 

Qual sua visão hoje sobre as recentes discussões de sustentabilidade na moda?

 

As pessoas têm se apropriado indevidamente deste discurso. Eu fui a primeira marca a fazer peças com couro de peixe, por exemplo. Hoje o consumidor está preocupado, principalmente a molecada mais nova, com a origem dos produtos. Mas precisamos tomar cuidar para não ficarmos numa coisa etérea, já que sabemos que a indústria da moda é umas das que mais polui, gasta e desperdiça. Então, temos uma super preocupação em cuidar, mas não podemos ser medíocres. Hoje com meu modelo de negócio, consigo controlar ainda melhor, mas minha relação com meus funcionários sempre foi muito bacana, mesmo quando eu tinha mais de 200 funcionários com a Rosa Chá. Ela sempre foi uma empresa modelo para os sindicatos de costureiras, por exemplo. Inclusive recebíamos visitas para que os outros aprendessem como fazíamos.

Também criei participação nos resultados financeiros na empresa para melhorar o envolvimento dos meus funcionários, como por exemplo com um 14º salário e sempre buscávamos métodos de tratar os funcionários de forma diferenciada. Isso talvez venha da minha formação, pois sou formado em História e sempre tive uma coisa muito humana.