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© 2017 Mansur Murad Advogados

Este artigo visa a trazer à baila a grande preocupação ecológica das indústrias têxteis e seus impactos até hoje vistos no ecossistema, assim como uma breve visão histórica do tema. Hoje sabemos que a moda tem seu propósito social, com muita preocupação no equilíbrio e sustentabilidade. No passado, é verdade, não havia qualquer preocupação com a ecologia, não existia uma consciência ecológica, desperdícios de recursos naturais e insumos, descartes sem critério eram comuns.

 

Na primeira metade do século 20 os tecidos eram tratados com cloro (hipoclorito de sódio), um produto alvejante altamente nocivo. Naquela época, as operações de preparo dos corantes para tingimento e estamparia dos tecidos eram receitas que ficavam registradas em fichas de papel desenvolvidas e escritas manualmente pelo químico, operador da estamparia. Assemelhavam-se a receitas de bolo.

 

Era um processo que requeria (para cada processo – média de quatro) acima de 30 litros de água para cada quilo de tecido de algodão. Todo resíduo ia para o esgoto, sem qualquer tratamento. Com o surgimento da CETESB, data 24/07/1978, foram criadas as primeiras iniciativas para as regulações e elaborações das leis ambientais para os tingimentos e estamparia de tecido. Nas caldeiras, a CETESB exigiu que fossem utilizados óleos com menos enxofre e que nas chaminés fossem instalados lavadores de gases para eliminar o ácido sulfúrico resultante da queima do combustível fóssil (particulados – fuligem). Os resíduos das águas eram tratados quanto ao seu PH ácido, e era adicionada soda cáustica para neutralizar a acidez.

 

Na segunda metade do século 20, os alvejantes foram substituídos por água oxigenada a 20 graus (peróxido de hidrogênio), um produto que reagia com o vapor e se adaptava às máquinas mais modernas em processos de alvejamento contínuo em tecidos com fibras vegetais. Esse procedimento consumia menos de 5 litros de água nas lavagens desse alvejamento, pouca energia, sendo portanto ecologicamente muito mais correto.

 

Esta nova tecnologia permitia a mercerização, um processo de tratamento para fios e tecidos de algodão, no qual estes são submetidos em máquinas especiais, com passagem em banho de soda cáustica, seguindo para máquinas de lavar com quarenta metros de comprimento, num processo contínuo em que, no final, o tecido sai seco e pronto para o tingimento, com os resíduos diluídos durante esse procedimento. Esse processo utilizava menos de 3 litros de água por quilo de tecido (uma relevante redução).

 

Hoje, os processos são controlados por sistemas e computadores. Tais programas propiciam controle sofisticado de temperatura, velocidade, consumo de líquidos, tudo automatizado e controlado por monitoramento digital – eliminando-se as fichas do passado. Atualmente, o grande diferencial refere-se ao tratamento do esgoto e na emissão de particulados pelas caldeiras que ainda queimam combustíveis fósseis, chamado óleo preto, fornecido pela Petrobrás.

Também, o grande diferencial da legislação atual foi referente às licenças de instalações que exigem grandes áreas para o tratamento dos resíduos líquidos e proíbem que essas indústrias potencialmente poluidoras se instalem em áreas urbanas ou próximas a habitações.

 

Resumindo, em um balanço com custos e benefícios, os controles ecologicamente corretos alcançaram patamares econômicos e financeiros que se constituíram ótimos investimentos nas industrias principalmente na indústria têxtil, que saiu do patamar arcaico, artesanal, para processos computadorizados, sem as interferências humanas.

 

Ainda, a mentalidade ecológica criada após o advento da CETESB influenciou para que fossem desenvolvidas na medicina e segurança do trabalho medidas de uma legislação de proteção ao trabalhador e o ambiente de trabalho. Mesmo assim, ainda encontramos níveis de desperdícios inaceitáveis nesta indústria da moda. Vale a reflexão e a consciência socioambiental de nossos jovens, que já se atrelam à era do reaproveitamento, da transformação, inclusive aceitando pagar um preço maior para determinada peça de roupa, cuja marca já se coadune às melhores práticas em educação de consumo.